<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281</id><updated>2012-01-24T09:19:22.446-08:00</updated><title type='text'>Heterônimos Aleatórios</title><subtitle type='html'>SOMOS 7 ALEATÓRIOS URBANOS: MARIA LUÍSA, PATRÍCIA  FRESCRESH, A MOTOQUEIRA, OLÍVIO, LENITA HELENA, JAIME E SAMUCA...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-8630141070235062295</id><published>2007-05-23T19:43:00.000-07:00</published><updated>2007-05-23T19:52:39.949-07:00</updated><title type='text'>Me deixe mais próxima</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Patrícia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FPc0Z4_5c1A/RlT9Zcth1DI/AAAAAAAAAL4/ZBWYqJqy2Jc/s1600-h/Pat.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067954094344361010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FPc0Z4_5c1A/RlT9Zcth1DI/AAAAAAAAAL4/ZBWYqJqy2Jc/s320/Pat.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Foto-montagem: Caroline Ferreira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os pais da Paty foram viajar há algumas semana. O irmão, mais velho, resolveu ir junto. Ela, que aprendeu que "ficar sozinha em casa não tem preço", decidiu tirar férias de todos. Foram 7 dias, com cozinha e louça sujos, visitas, amigos, andar de calcinha pela casa as 4 da tarde e encontros. Um amigo colorido veio do sertão visitar-lhe.&lt;br /&gt;Ao fim da semana entre cores, músicas, festas particulares, cinzeiros sujos, lixos transbordando, vassoura, sabores, lençóis, garrafas vazias, beijos, comidas rápidas gostosas e sonos em lugares estranhos da casa, a saudade tem acompanhado seu corpo e sentidos.&lt;br /&gt;Resolveu então pegá-las e enviar por mail:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cheguei meio viva, acho. Já sinto saudades dos tempos em que éramos um só na cama. Saudades de te ver na hora em que acordo, no meu almoço às três da tarde, no meu banho gelado que disfarça o calor do corpo. Se pareço melancólica, desculpe, não foi essa a minha intenção. Foi só o medo que passou por mim e deixou o seu cheiro. Quero te ver de perto. De repente o amor me parece inconstante. Ou serei eu a inconsciente? Não sei. Não sei de muitas coisas. E penso saber de muitas outras. Meus seios estão inchados (acho que é a tpm), mas não me sinto sexy. Nem um tesão absurdo assistindo a um show de rock. Meu corpo é outro. É como se eu seu precisasse te sentir para me sentir. Me deixe mais próxima. Me conte a hora em que acordou, o que comeu, a que horas foi ao banheiro, com que cueca está...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-8630141070235062295?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/8630141070235062295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=8630141070235062295' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/8630141070235062295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/8630141070235062295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/05/me-deixe-mais-prxima_23.html' title='Me deixe mais próxima'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_FPc0Z4_5c1A/RlT9Zcth1DI/AAAAAAAAAL4/ZBWYqJqy2Jc/s72-c/Pat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-1002680622465457247</id><published>2007-04-01T11:25:00.000-07:00</published><updated>2007-04-01T11:42:19.102-07:00</updated><title type='text'>O que eu vejo daqui</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;A Motoqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se interessar a você, leia o que eu vou contar sobre o que eu vejo daqui. Talvez você já tenha visto com os seus próprios olhos, mas não se pode apreender tanto no pouco tempo que você fica quando vem; por isso o meu esforço em descrever a você e aos seus amigos tudo aquilo que me é revelado a cada dia sobre o lugar em que eu vivo. Depois, venha me visitar para dizer o que você achou e ver se as coisas conferem. Boa viagem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto aqui é um jardim largo, e o meu canto preferido é bem este aqui de onde escrevo, embaixo desta pitangueira aqui. Não sei se é o lugar mais bonito do jardim, e nem acho que algum jardineiro plantaria alguma pitangueira em algum jardim dos dias de hoje, mas o que se pode fazer quando a fruta que nos é mais doce é a pitanga? Não se pode fazer muito, além de sentar-se à pitangueira e comer pitangas. Mas, se você ainda não sabe, são vários os tipos de doçura que as pitangas podem me oferecer...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia pitangas no quintal da minha casa; então, toda pitanga tem um poder mágico de trazer meu pai, minha mãe e minha irmã para uma visita. As sementes da pitanga não estão muito além da primeira mordida, o que me rendia uma porção delas em poucos minutos, naquele tempo; você morde com todo o cuidado, sente o docinho e logo pode cuspir na mão uma semente clarinha e bem definida. No entanto, sempre me intrigou o fato de eu nunca conseguir plantar uma pitangueira com aquelas sementes; você joga na terra, molha e logo pode começar a esperar muito tempo. Nunca. De repente, quando cheguei aqui, percebi onde minha pitangueira havia crescido neste tempo todo. "Vejam quantas são suas pitangas! E que doces elas são! E quão claras são suas sementes!", é o que eu digo sempre ao meu pai, minha mãe, minha irmã e a você, quando está aqui. Todos vocês gostam mais das tantas flores bem arranjadas. Bem, eu não posso esperar que sejam perfeitos como umas flores bem arranjadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Daqui de onde estou, minha pitangueira me impede de ver as janelas dos quartos, dentre os quais o meu. Quer dizer: por trás da pitangueira (nem tanta sombra, nem tanto sol), bem longe existe um fundo branco que não podemos definir bem se não sabemos que são quartos. É só um fundo branco que parece que é de paz se não sabemos que são quartos. Algumas das melhores pessoas que eu já conheci eu vejo lá. Elas são tão prestativas, meu amor! São tão atenciosas, cada qual dentro das suas capacidades e funções! São tão boas! Mas, se o céu foi construído ali, o que é que me deixa tão angustiada durante o tempo em que eu fico ali? O que me deixa mais angustiada é saber que aquele não é o mundo real. Depois de tanto tempo aqui, por mais louco que você seja, você acaba percebendo que o mundo vai muito adiante do que os nossos olhos nos permitem ver; não é tão difícil perceber que você está impedido de perceber mais. O que nos impede é a terceira e última dimensão deste lugar, que vou descrever a partir de agora: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os muros. Plantaram trepadeiras nos muros para que o jardim parecesse maior. Pintaram os muros de branco para que o céu parecesse maior. Pobres infelizes! Só o que aumentaram foi a angústia de quem não tem mais nada nesta vida. Agora diga que você não tem parte nisso também! Eu pergunto porque não vejo outro motivo para que você não venha me ver. Se essa for a verdade, a verdade é que não podem suportar a doçura que é natural! Vocês fazem curso para jardinagem, e aprendem um pouco do que a natureza faz naturalmente; aprendem, e a natureza continua a fazer ainda mais belo. Não podem superar a doçura que é espontânea! O que é uma pitangueira neste jardim? Uma anomalia para vocês.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eu escrevo para que você não deixe que eles arranquem a minha pitangueira, que está ameaçada. Me perdoe se sou injusta com você na frente dos seus leitores, e me ajude a cuidar da pitangueira que eles querem cortar. E escrevo também para que você não deixe de cultivar a sua doçura, e a cultive em todo lugar em que estiver. Não permita-se encontrar sua doçura depois de muito tempo, quando já se passaram tantas pessoas e quando o tempo já for quente demais para o cultivo. Eu te amo, e como é espontâneo esse amor!&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-1002680622465457247?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/1002680622465457247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=1002680622465457247' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/1002680622465457247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/1002680622465457247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/04/o-que-eu-vejo-daqui.html' title='O que eu vejo daqui'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-7905779590477477492</id><published>2007-03-08T13:35:00.000-08:00</published><updated>2007-03-08T13:38:06.707-08:00</updated><title type='text'>Eu... não sei</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E o resultado saiu. Melhor, ihhh o resultado saiu. Ai que medo de olhar! Eu estudei o ano inteiro! Não tive vida social! Emagreci! Queimei quase todos os neurônios! Tive queda de cabelo! Tenho calos nos meus dedos! Vou ter sono pela vida inteira por causa das noites mal dormidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria Luísa! Pára de drama e olha logo!- falou mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa que só eu faço drama? A senhora já reparou bem nos vestibulandos? Lembra do dia que você me levou na primeira fase? Aquelas pessoas sentadas na frente da escola, segurando folhetinhos de cursinho, alguns pareciam zumbis! E outros tentavam disfarçar a ansiedade dando risada, fazendo piadinhas sem graça, mas no fundo estavam com F=m.a na cabeça ou Li, Na, K, Rb, Cs, Fr, ou, ou, ou... Ah! Sei lá! Nem lembro mais nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A lista já está aberta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspiro. Algo se mexe na minha barriga. Medicina, por ordem alfabética: Larissa, Letícia, Luana, Lucas. Não, não quero ver!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá esse mouse Maria Luísa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alt+F4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu preciso de um tempo!!! Ihhh, o telefone está tocando mãe. Não atende!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pode ser alguém querendo te dar parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não, deve ser alguém querendo me consolar por não ter entrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí? Já saiu o resultado?&lt;br /&gt;- Ah, Maria Clara! Vê se convence a tua irmã a olhar a lista que eu já desisti! Vou atender ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dá um abraço Maria Clara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Malú!!! Por que chorar? Você nem sabe o resultado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei, não sei!!!! Maria Clara, olha pra mim? Por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que olho, sua maluquinha! Troca de lugar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãaaae! Quem era no telefone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu pai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai dizer que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nãaaao... Parece que não conhece teu pai, distraído... Ligou pra dizer que chega mais tarde hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara, me dá sua mão. Quando chegar sua vez de prestar vestibular e você não passar, não fique com pensamentos idiotas na cabeça ok? Vestibular é injusto porque educação de qualidade deveria ser um direito de todos. Ouviu? TODOS. Todos deveriam ter chances nessa concorrência injusta. Imagine quantos talentos, quantas pessoas cheias de vocação não conseguem seguir uma profissão porque não passam no vestibular...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Malú, tá bom, pode deixar... Agora solta a minha mão e deixa-me ver a lista! Unesp né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Unesp Maria Clara! Quando eu vi a concorrência lá quase desmaiei! E hoje é dia de resultado da FÚvest!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre digo que você parece mais com o papai e eu com a mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos sou mais calma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirar fundo. Olha logo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ter um montão de gente acessando essas listas agora, demora um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Clara, deixa eu sentar aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não olhou Maria Luísa??? Será que vou ter que ir no vizinho olhar???? – volta minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, abriu! Medicina, por ordem alfabética: Larissa, Letícia, Luana, Lucas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria Luísa!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que? O que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu nome sua boba!!! Você passou!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei paralisada. Elas me abraçavam, me beijavam, gritavam. Escândalo tipicamente feminino. E eu não sei se ria ou chorava. Não sei, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi Malú????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu... não sei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-7905779590477477492?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/7905779590477477492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=7905779590477477492' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/7905779590477477492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/7905779590477477492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/03/eu-no-sei_08.html' title='Eu... não sei'/><author><name>Carol Ferreira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06759130967440082499</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_oEbSlHqIQig/Slj_Ivt8vQI/AAAAAAAAAEg/ugRfiOZusk8/S220/DSC04443.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-8585488002114612848</id><published>2007-02-15T15:35:00.000-08:00</published><updated>2007-02-19T17:40:44.338-08:00</updated><title type='text'>Cara, tá foda...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Samuca&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tá...deixa eu ver se já saquei isso tudo...quando rolou a guerra entre os persas e os romanos, a temperatura média do planeta era de 22 graus Celsius, havia mais gimnospermas na região andina, as cadeias de carbono já eram essas que conhecemos hoje e não fazia a menor diferença se o log10 é 1 ou 0...ou 100...ou 1000...&lt;br /&gt;Ahhhhhhhhhh!!!!!!!!! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não agüento mais estudar pra essa porra de vestibular! Caralho, só faço isso desde os meus 15 anos!!! Tá...eu sei que faz dois anos e que para qualquer pessoa na faixa dos 35 a 40 anos, na qual incluo meus pais, dois anos são quase nada. Mas o tempo é relativo. Não é, caro Einstein!?&lt;br /&gt;Amanhã eu tenho que acordar cedo pra fazer a droga da inscrição. Sei lá o que eu quero. Andar vestido de pingüim o dia todo, enforcado por uma gravata, usando data vênias e habbeas alguma coisa na minha redação, não vai rolar. Meus pais ficam falando que ser juiz é o que vira, porque é uma carreira de respeito e que rende uma grana legal por mês. Pode até ser. Mas eu não vou poder levar a Lucíola comigo pro fórum. Nem tirar uns solos de Hendrix nela no meio da tarde durante um julgamento. Se bem que ia ser loko, hein. Já pensou!? Promotor de um lado, defesa de outro, réu no meio e eu solando...de toga...e a galera pagando pau...porque eu toco pra caralho...&lt;br /&gt;Huahuahuahua...que dá hora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora...putz!! Quatro e quinze. Tinha aquela aula extra de física, as duas. Esqueci de novo. Meu pai vai falar pela centésima nonagésima sétima vez (só essa semana..) “na sua idade eu trabalhava, estudava, ajudava meu pai” assoviava, chupava cana, dava umas com a filha da vizinha...blábláblá...aí no final “naquela época a gente era bem mais responsável que os jovens de hoje.” E minha mãe vai ficar pagando de backing vocal pra ele dizendo “é verdade...é verdade..” pra cada sentença afirmativa que ele disser...&lt;br /&gt;Sentença afirmativa...assinalar a correta...assinalei a D....e a certa era a A...droga! Total de acertos: 28...erros: 20...mais as duas que eu não sei...Graaaaaaaaande Samuel! Pouco mais de 50% de acerto. Pra quem pretende chegar a 95%, ta quase lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na real...não quero mais isso. Cara, eu não entendo por que tudo tem que acontecer na hora que os outros querem. Não quero prestar a porra do vestibular esse ano. Não quero fazer direito. Não quero estudar 5 horas de manhã e mais 5 a tarde e voltar cedo pra casa no sábado porque domingo é dia de resolver os cadernos de exercícios.&lt;br /&gt;Por que tanta pressão? Por que agora, não amanhã ou depois de amanhã? O futuro não é meu? Se eu me ferrar porque demorei pra fazer faculdade e fiquei velho pro mercado de trabalho, quem vai ser o fracassado e fodido pro resto da vida...EU porra!!&lt;br /&gt;Mas quem paga meu colégio e minhas despesas são os velhos. Então eu tenho que me conformar com essa vida de clausura e castidade até passar a semana do vestibular, pelo menos. Clausura pode até ser. Mas castidade..tá foda...se bem que nada mais brochante do que um livro de química. Aliás, tenho dormido pouco, me alimentado mal e estimulado quase nada a minha libido. Se eu ficar impotente antes dos 20 anos, eles vão se sentir culpados pro resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, na boa...por hoje chega. Vou ver televisão. Merda! Cinco e meia, quase...hora daquela novelinha imbecil. Alguém precisa dizer pra humanidade que as pessoas com mais de 15 e menos de 20 anos existem, logo pensam! Não sei quem inventou que nessa idade somos uns completos idiotas, manipuláveis e incapazes de fazer as conexões neurais necessárias para desenvolvermos raciocínio e senso crítico...Ohhh!!! Sim...Pasmem, senhores! Nós já sabemos o que é bom e o que é ruim. E mais: sabemos o que é bom e o que é ruim pra nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvida!? Então deixa eu provar, pô!&lt;br /&gt;Cara...eu to surtando...&lt;br /&gt;Na real...não sei o que eu quero. Eu tenho que fazer facul, tenho que ser alguém na vida, trabalhar, ganhar grana, ter minha casa, minha família, etc, etc, etc....dizem até que eu tenho que ter filhos. Tenho? Será que tenho mesmo?&lt;br /&gt;Ahhhhhhhhhhhh!!!!!!! Foda-se!!!&lt;br /&gt;Eu queria mesmo era tocar com os Doors...puta, cara...ia ser loko, hein. Eu devia ter nascido entre 1945 e 1948...na segunda metade da década de 60 eu teria vinte e poucos anos e ia viver a base de ácido, sexo e rock n’roll...vestibular o caralho! Ia reunir a Janis, o Jimi e o Jim em casa, íamos tocar, compor e zoar muito...&lt;br /&gt;Ia ser bom pra caralho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-8585488002114612848?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/8585488002114612848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=8585488002114612848' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/8585488002114612848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/8585488002114612848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/02/cara-t-foda.html' title='Cara, tá foda...'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-1070549670624062366</id><published>2007-02-13T14:15:00.000-08:00</published><updated>2007-02-13T15:50:59.813-08:00</updated><title type='text'>Segunda Carta de Motoqueira aos Heterônimos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Motoqueira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá. Primeiro, diga a todos os seus leitores que sou uma pessoa normal. Eu não gostaria que as pessoas continuassem a me enxergar como uma anomalia, ou como alguma louca, porque eu não sou e você sabe - diga a eles que você sabe, e eles vão acreditar. E, por favor, corrija os meus erros de português, humilhante que é ver os outros comentando sobre as coisas que eu escrevo. E  pare de omitir os palavrões, que muito me expressam. Bem, é isso que eu peço a você para continuar a escrever (há aquelas outras coisas a serem discutidas mas, por enquanto, eu só faço questão dessas que eu disse). Se procede mesmo o que você me explicou, eu não sou um simples "heterônimo", mas uma pessoa de carne e osso; ainda assim, concordo que não importa o nome pelo que me chamem, e concordo que não posso sair por aí mudando o nome dos grupos dos outros. Nesses termos, eu ainda sou "A Motoqueira", que, vale lembrar, não tem moto alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com saudades de você. Você pensa que eu não sinto saudades, não é verdade? Sinto falta de você no banco, de você no palco, de você na cama (não explique o que isso significa que às vezes - é raro, mas acontece - eu me envergonho). Agora você resolveu que é profissional, está bebendo e joga baralho. O que estão fazendo com aquele amigo romântico que eu tinha? Não entra nessa não, de bebida, de jogo, que eu não consegui sair até hoje, porra. Veja que eu me deixo cobrar você, ainda mais agora que sei que sou sua melhor amiga. E o serei com toda força. Mais força que as saudades que eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de amanhã vou viajar. É uma viagem de irmã com irmã, e a família dela também. Sabe quando temos uma oportunidade única em muitos e muitos anos? Pois é isso que é: minha irmã me convidou para a viagem que nunca fizemos juntas. Vamos à praia. Eu não sei qual praia que é, mas é bonita, eu vi as fotos. Eu já comprei um maiô, uma toalha melhor e vou com os óculos que ganhei de você. O que você acha? Não fique triste, que eu vou trazer uma lembrança para você. E, para mim, eu quero aquela lembrança que não se compra (como vovó já dizia). Fazia muito tempo, sabe?, que eu não conversava com minha irmã, e a viagem vai servir para bons momentos, não é? Então, eu terei uma lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vir minha filha, diz que eu a amo, e que eu estou aqui, para quando ela precisar. Diga que eu estou muito bem aqui, não falta nada e ainda tenho você, apesar da sua chifrudice de não me visitar mais. Você me contou que uma Júlia escreveu sobre o amor daquela carta; agradeça, mande um beijo e diga a ela que é agora a hora de mostrarmos aos outros que os amamos, seja que tipo de amor for. Para ser sincera, do tempo em que fiz aquela carta eu só me arrependo de não ter sido mais direta quando me expressava. Por exemplo, já faz tempo que meu melhor amigo não volta, e me aperta o coração não ter dito com toda a boca que eu o amo. Outro exemplo: aposto que você demorou para perceber o trocadilho no título daquela carta, não é, seu chifrudo? Eu sei ser criativa, pois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande beijo a você, ao Brigadeiro e aos seus leitores, que ganharam de você permissão para ler tão íntimas linhas, ou algumas delas, ou todas devidamente editadas. De qualquer forma, são íntimas, mas sinceras e sem medo, o que é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo você. E Jesus é nosso rei, Amém? Boa vida, em nome de Jesus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-1070549670624062366?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/1070549670624062366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=1070549670624062366' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/1070549670624062366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/1070549670624062366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/02/segunda-carta-de-motoqueira-aos.html' title='Segunda Carta de Motoqueira aos Heterônimos'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-117124451895039992</id><published>2007-02-11T17:31:00.000-08:00</published><updated>2007-02-11T17:42:34.053-08:00</updated><title type='text'>RENDIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jaime&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decidi tirar férias. Férias das letras, desse caderno solitário, da terapeuta, da minha vida. Cansei de acordar às sete horas da manhã e pedir um pingado na padaria enfrente de casa. Cansei de chegar à faculdade e ver tantos alunos dispersos. Cansei da minha vida.&lt;br /&gt;Por isso tirei férias. Cansei de não ouvir ninguém reclamar ou contar-me novidades. Cansei desse casulo ao qual me coloquei. Cansei de estar sozinho e conversar dia e noite com meu próprio eu, sem expectativas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiquei três longos meses longe de tudo. Mais sozinho ainda, pensando no que queria dos outros. Hoje voltei e aproveitei para visitar a ela. Aquela mulher conhece mais a mim do que a ela mesma. Fez-me olhar o reflexo do espelho e mirar os olhos sem brilho que habitam minha face. Fez-me serrar os olhos depois, e sentir as mãos ásperas grudadas ao meu corpo. Fez-me falar e ao invés de contar-lhe, eu chorei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que vergonha senti. Diante de uma mulher, os olhos umedecerem. Ao invés de secar as lágrimas, peguei-me a soluçar. Que vergonha, meus caros. Soluçar. Como uma criança.&lt;br /&gt;Levantei-me olhando para a porta e pedi-lhe licença. Passei pela secretária com a cabeça baixa, em direção a porta, querendo ar puro. Quase me choquei com uma mulher que levava um carrinho de bebês. Desviei-me e atravessei a rua.&lt;br /&gt;Por meia hora o soluço me acompanhou, depois deve ter cansado. Chamei um táxi. Pedi que me levasse à felicidade. Ele não deve ter entendido. “Me leve à felicidade. Basta”.&lt;br /&gt;Ele me deixou enfrente ao parque de diversões. Embora não guarde lembranças, a fragilidade do momento me fez recordar do dia em que meu pai apresentou-nos a roda gigante e nos disse que ela era como a vida, sempre dando voltas. Quis entrar.&lt;br /&gt;Domingo, muita criança circulando. Filas imensas. Até que a encontrei. O sol já começava a fazer minha cabeça latejar então achei que bastaria ficar apenas admirando-a. Sentei-me num banco com sombra, ao lado de um carrinho de algodão doce. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dei-me conta de que não havia sol. Aliás, parecia até que ia chover. A cabeça latejando deveria ser mais uma vez o meu eu, fugindo de tudo que não parece cômodo.&lt;br /&gt;Enquanto refletia sobre minhas atitudes tolas, distrai-me com a garota que tentava desgrudar o algodão doce que uma pirralhinha metera-lhe no cabelo. Sorte a dela que eram curtos e pudera assim recuperar grande parte de seu doce.&lt;br /&gt;Sempre quis ter cabelos longos, embora meu pai recriminasse esse gosto. Por que então as mulheres que tem esse privilégio insistem em cortá-los?&lt;br /&gt;Mas a menina tinha o rosto delicado e um sorriso encantador. Estava sozinha também. E sem entender o porquê, me vi enfeitiçado em seus gestos. Ela me trouxe uma sensação de paz inexplicável. Certamente era sua felicidade a espalhar-se pelos ares.&lt;br /&gt;Após o episódio do cabelo, levantou-se e entrou na roda gigante, que essa hora não tinha mais filas. Fiquei imobilizado, olhando-a sentar. Ao seu lado, um lugar vazio.&lt;br /&gt;Quem sabe esse não seria o meu momento. Aquele com “o lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa”, como costumam dizer. Nem pensei que ela poderia se assustar. Corri até vendedor de algodão doce e pedi com pressa um embrulho, talvez a maneira mais fácil de aproximar-me dela. Quando me virei para o brinquedo, lá estava ele, o banco amarelo. Vazio. E ela já não estava lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao mesmo lugar e pus-me a deliciar o açúcar caramelado. Não era um amor chegando a explicação para o que me fizera sentir.&lt;br /&gt;Um trovão e bastou para que o céu pesado e cinza caísse sobre minha cabeça. Com as mãos meladas pelo açúcar que derretera, levantei os óculos para enxugar os olhos. Com a vista embaçada, vi a menina de nuca nua a menos de cinco metros, à minha frente. A diferença é que estava seca e protegida na casinha de filas, enquanto eu sentia a água sendo absorvida pela minha roupa mal tratada. Era isso que fazia-nos diferentes, desde o começo. Ela sabia o que fazer, sabia o que quer. Ela andava de cabeça erguida e não tinha medo de ousar, mesmo estando sozinha. Ela, aos meus olhos, sabia ser feliz com ela mesma.&lt;br /&gt;“Uma moça de sorte”. E conclui que já era hora de voltar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O taxista quase não me deixou entrar. Fez-me comprar uma capa de chuvas para não molhar o banco. Achei melhor me calar e obedecer, como sempre fizera na vida. Ao menos cheguei à minha casa. Meu apartamento bagunçado, minha louça suja, minha cama vazia. O único destino da minha vida, desde que o tempo me fez deixar de ser criança. Em meio a tanto entulho deve estar ela perdida. A minha felicidade.&lt;br /&gt;Deparei-me sem querer com meu próprio reflexo no espelho enquanto tirava a camisa ensopada. Confesso que me surpreendi. Meus olhos voltaram a ter um brilho há muito tempo apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Maria Luísa. Maria Luísa. A única que sabia me fazer sorrir e a mesma que me lembrava que sentir saudades não era pecado. Saudades, Maria Luísa. Saudades do seu colo de mãe.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-117124451895039992?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/117124451895039992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=117124451895039992' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/117124451895039992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/117124451895039992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/02/rendio.html' title='RENDIÇÃO'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-116985267244808447</id><published>2007-01-26T14:50:00.000-08:00</published><updated>2007-01-26T15:21:30.743-08:00</updated><title type='text'>Ela finge ser feliz, parte II</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Devo desculpas aos leitores do “Heterônimos”, mas quem leu meu primeiro texto sabe que sou vestibulanda, uma entre tantos outros que prestam Medicina. O fim de 2006 foi agitado, quanta coisa aconteceu! Mas hoje vou lembrar daquele domingo do texto anterior, cumprir com o meu compromisso de continuar a história e daqui alguns dias (prometo que não será daqui alguns meses) conto como foram os vestibulares, que ainda não terminaram, segunda fase se aproximando... Para retomar, o último parágrafo:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Uma caminhada e estarei lá. Espero que esteja cheio, o tempo está fechando um pouco, São Paulo, São Paulo. Daqui já consigo ouvir a música e sentir o cheiro doce, que sensação boa...&lt;br /&gt;Algumas pessoas entrando, crianças gritando, poucos jovens. Algo comum entre eles é o sorriso no rosto, inevitável não sorrir também, ainda que o meu tenha um fundo de tristeza. Sem tragédia! Se sofro decepções, se tenho certas dúvidas ou caio em ilusões é sinal que estou viva. Recentemente descobri que finjo ser feliz porque desde o dia que deixei de ser criança, não lembro quando foi, os problemas entraram na minha cabeça e de lá não querem mais sair. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O que posso fazer? Tentar resolver? Esse já é um exercício diário... O negócio é fingir felicidade, não enganar aqueles que convivem comigo, finjo para enganar minha cabeça, para distraí-la, como em um laboratório, manipular a química do meu corpo a meu favor. Como não existe vida perfeita, essa manipulação (muitas vezes inconsciente) é muito comum para todo ser-humano. Maria Luísa sem novidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Bem, o lugar que fui é um dos ingredientes para a fórmula da felicidade que nunca fica pronta, não fica pronta tanto a fórmula quanto a felicidade. Comprei meu ingresso na bilheteria, sem fila demorada. Olho para cima, acho que um pinguinho de chuva caiu no meu braço, se chover não dá pra aproveitar direito, perigo de raio. Também não quero voltar para casa molhada. Onde vou primeiro? Ao contrário das outras vezes quero começar com emoção. Já sei! A sensação aqui é boa, boa não quer dizer agradável. Teve momentos que me arrependi de ir, mas ao fechar os olhos e sentir o vento violento no rosto a vontade foi de repetir, melhor não, o coração não anda nos seus melhores dias. Nada de quedas violentas, o desejo agora é de voar, voar rápido. Aqui é possível desde que você se suspenda no ar e gire a toda velocidade, tanta força que lembrei de Newton. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Agora posso colocar a tiara de volta. Chega de emoções fortes, um doce para amenizar, um banquinho para descansar. É legal apreciar a paisagem e ver quanto tipo de gente existe. O garotinho segurando um balão sorri, a menininha gruda o cabelo no algodão-doce e senta do meu lado para desgrudar.&lt;br /&gt;- Deixa que eu te ajudo, segura o meu, mas cuidado pra não grudar esse também – Ela sorri gostoso.&lt;br /&gt;Tento com delicadeza puxar o cabelo em vão, ela resmunga um pouquinho. De repente, a voz de uma mulher me assusta:&lt;br /&gt;- Maria Luísa! Te procurei em todo lugar menina!&lt;br /&gt;Olho assustada e vejo a mulher brava se aproximar e puxar minha coleguinha do algodão-doce pela mão. Lança um olhar esquisito na minha direção, tipo tire suas mãos sujas do cabelo da minha filha! Levanto as mãos pra ela ver que não estava armada. As duas vão embora, a Maria Luísa olha para trás e dá um aceno pequenino. Nem deu tempo de dizer que eu também me chamo Maria Luísa, nem de pedir meu algodão-doce de volta. Coincidências...&lt;br /&gt;- Tchau Malu!&lt;br /&gt;Agora eu vou... Huuuum, sim, lá mesmo. Um sobe e desce lento, vento suave no rosto. Céu cinza, quase chuva. Lá em cima o coração pula de medo, lá em baixo pula por vontade de subir novamente. Pena não ter ninguém do meu lado para compartilhar a sensação. Não gostei do lugar vazio ao meu lado. Mudei logo, é de lá que vem a música! Também tem sobe e desce, só que sem medo, não é alto. Deu pra viajar um pouco, do lado de fora, minha mãe em um lado:&lt;br /&gt;- Cuidado pra não cair Malú!&lt;br /&gt;- Tá!&lt;br /&gt;E meu pai com a câmera Polaroid de outro:&lt;br /&gt;- Olha o passarinho Malú!&lt;br /&gt;- Que passarinho?&lt;br /&gt;Meia volta:&lt;br /&gt;- Cuidado pra não cair Malú!&lt;br /&gt;- Tá!&lt;br /&gt;Meia volta:&lt;br /&gt;- Olha o passarinho Malú!&lt;br /&gt;- Que passarinho?&lt;br /&gt;Minha gargalhada, leve, espontânea. Ficou no passado.&lt;br /&gt;- Cuidado pra não cair Malú!&lt;br /&gt;- Olha o passarinho Malú!&lt;br /&gt;O trovão me desperta, a chuva chega. Aqui é coberto, mas posso sentir umas gotas molhando minha perna. Quase me distraio de novo se não fosse um grupo logo atrás de mim. Um rapaz grita:&lt;br /&gt;- Justo hoje foi chover!&lt;br /&gt;- Ah... Vê o lado bom, todo mundo foi embora, e a gente ficou aqui, único lugar coberto – Responde a moça alegremente.&lt;br /&gt;Lado bom. É, sempre existe um lado bom. No entanto, meu lado ruim chamava. Ou eu descia logo para pegar o metrô ou chegava depois dos meus pais em casa. Melhor descer e encarar a chuva! Nada como um domingo molhado no metrô. Ligo meu Ipod, primeira música, Universo ao meu redor, da Marisa Monte. “Tarde, já de manhã cedinho/ Quando a nevoa toma conta da cidade/ Quem pega no violão/ Sou eu, sou eu/ Pra cantar a novidade/ Quantas lágrimas de orvalho na roseira/ Todo mundo tem um canto de tristeza/ Graças a Deus, um passarinho/ Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ E eu já não me sinto só/ Tão só, tão só/ Com o universo ao meu redor.” Fiquei feliz. De verdade. Música faz essas coisas com a gente.&lt;br /&gt;Chegando em casa, surpresa! Todo mundo em casa cedo. Minha mãe com aquela cara:&lt;br /&gt;- Maria Luísa! Onde você foi????&lt;br /&gt;- Por aí.&lt;br /&gt;- Por aí onde?&lt;br /&gt;- No parque.&lt;br /&gt;- Que parque?&lt;br /&gt;Corri na direção dela, dei um beijo estalado e fui tomar banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Graças a Deus, um passarinho/ Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;E eu já não me sinto só/ Tão só, tão só/ Com o universo ao meu redor.” &lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-116985267244808447?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/116985267244808447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=116985267244808447' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/116985267244808447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/116985267244808447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2007/01/ela-finge-ser-feliz-parte-ii.html' title='Ela finge ser feliz, parte II'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115964186591796129</id><published>2006-09-30T11:38:00.000-07:00</published><updated>2006-09-30T11:44:25.936-07:00</updated><title type='text'>Ela finge ser feliz – Parte 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A infância é um refúgio, corro pra lá todas as vezes que me falta o chão, fico escondida, covardemente entregue ao medo e seguramente envolvida por lembranças.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;No domingo, acordei ao meio dia, como sempre. Ao contrário dos outros dias da semana que acordo sentindo cheiro de café, no domingo, acordo sentindo cheiro de molho bolonhesa, como sempre. Todos se preparavam para o tradicional almoço de domingo na casa da minha tia, irmã da minha mãe. Minha família pela parte materna é engraçada porque minha vó que tem só uma irmã teve duas filhas, minha mãe e minha tia. Minha tia tem duas filhas. E minha mãe tem eu e minha irmã. Resumindo, o almoço de domingo é uma falação só, oito mulheres reunidas. Mas algo me dizia naquela manhã que o almoço teria uma mulher a menos falando. Para a alegria do meu pai! Esqueci de contar, meu vovô já morreu, meu tio sumiu, então, os domingos para o meu pai sempre foram: “ Eu sozinho na casa das oito mulheres”. Diálogo:&lt;br /&gt;- Não, não mexe aí! Ai! Vê se fica longe da cozinha!!!&lt;br /&gt;- Desliga essa televisão, não suporto futebol no domingo!&lt;br /&gt;- Ahhhhhhhhh! Uma barata! Uma barata! Mata! Mata!!!! - ou ainda, nos melhores dias - Querido, poderia abrir o vidro de palmito?&lt;br /&gt;Coitado.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            - É... Será que hoje eu posso ficar aqui em casa?&lt;br /&gt;            Mamãe responde:&lt;br /&gt;            - Por que Maria Luísa? Tá se sentindo mal?&lt;br /&gt;            - Nãããão mãe. Sei lá, só afim de ficar em casa.&lt;br /&gt;            Cara de desconfiada dela.&lt;br /&gt;            - Você quem sabe, mas sua vó vai ligar, sabe como ela adora esses almoços.&lt;br /&gt;            - Tá, se eu estiver acordada atendo.&lt;br /&gt;            - Credo Maria Luísa! Parece que tem cem anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            E todos se foram. No apartamento ficou só o cheiro de macarrão com o perfume doce da Maria Clara, minha irmã. Que horas são? Uma da tarde, eles só voltam às dez da noite (deu dez horas minha mãe entra correndo na sala pra ver “Desperate Housewives”). Então, tenho nove horas livres! Troco de roupa rapidamente, algo bem confortável pra não atrapalhar em nada. Affffff. Meu cabelo está horripilante, talvez essa tiarinha de bolinha colorida resolva. Huuumm, até que ficou legal. Fechar a porta, torcer pra não encontrar ninguém no elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            - Maluuuuuuuuuuuuuuu!!!&lt;br /&gt;            - Olá seu Tibúrcio! – sempre achei engraçado o nome daquele senhor meu vizinho, me lembrava o professor Tibúrcio do Rá-Tim-Bum e ao mesmo tempo é tão sonoro: TIBÚRCIO! Parece um mergulho na piscina – Como vai o senhor?&lt;br /&gt;            - Bem, graças a Deus. Ué? Não era pra você estar na casa da sua avó agora?&lt;br /&gt;            - Resolvi ficar em casa, tenho coisas pra estudar.&lt;br /&gt;            - E aonde você vai agora?&lt;br /&gt;            - Ahhh – (Em off: Enxerido! Enxerido!) -  Na farmácia!&lt;br /&gt;            - Que remédio? Posso te emprestar, tem um monte lá em casa.&lt;br /&gt;            - Não lembro o nome, é um que só o farmacêutico sabe, é pra dor de cabeça.&lt;br /&gt;            - Dipirona é bom, e eu tenho lá em casa.&lt;br /&gt;            - Não posso tomar dipirona.&lt;br /&gt;            - Tenho aspirina, AAS...&lt;br /&gt;            - Obrigada seu Tibúrcio, mas é melhor eu tomar o que eu tomo sempre.&lt;br /&gt;            - Está bem, qualquer coisa sabe que pode bater lá em casa.&lt;br /&gt;            - Ah! Valeu, o senhor é muito gentil. Deixa eu ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            No elevador, ufa! Para que o porteiro não me veja basta sair pela garagem, aos domingos sempre tem gente saindo na hora do almoço. Uma fugitiva! É isso que eu sou! O legal dessa palhaçada toda de sair escondida é que dá mais emoção... Pra você ver como meu nível de emoção anda lá embaixo. Deixa eu ver o endereço no folder. Metrô, desço nessa estação, ando algumas quadras e pronto! Amo metrô! Se bem que trem bala é bem melhor, pessoas ansiosas como eu, querem chegar rápido nos lugares. Dez, quinze minutos, dá pra ouvir umas quatro músicas. Ganhei um Ipod num programa do rádio, nunca tinha ganhado nada nesses sorteios, na verdade, nunca acreditei neles. E não é porque ganhei que acredito, pra mim, eles disfarçam de vez em quando com um sorteio de verdade. Voltando ao meu passeio dominical (o texto está enrolado hoje) finalmente cheguei.&lt;br /&gt;            Uma caminhada e estarei lá. Espero que esteja cheio, o tempo está fechando um pouco, São Paulo, São Paulo. Daqui já consigo ouvir a música e sentir o cheiro doce, que sensação boa... &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Continua...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115964186591796129?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115964186591796129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115964186591796129' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115964186591796129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115964186591796129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/09/ela-finge-ser-feliz-parte-1.html' title='Ela finge ser feliz – Parte 1'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115747533548284064</id><published>2006-09-05T09:53:00.000-07:00</published><updated>2006-09-05T09:55:35.506-07:00</updated><title type='text'>A moto dos que não me amam</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;A Motoqueira&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos eles têm motos, e você vem me chamar de motoqueira, eu que não tenho uma moto para andar dela? A moto deles é que é de uma qualidade boa, e eu entendo de moto para amor. Amor, eu já tenho 42 anos de estrada, e uma estrada do amor. O Jaime, Olívio, a Lenita, a Luísa, a Pati, o Brigadeiro, eu já vi tudo esses caras de moto. E o Brigadeiro também. Quando nós fomos à reunião dos “Heterônimos Aleatórios”, todos chegaram de moto menos eu, e agora ficam fazendo que não, fazendo papéis que mereciam receber do diretor da Globo. Pergunte ao Brigadeiro. Ele vai te dizer uma coisa para você. Eu estava sem moto aquele dia, mas eu sabia que o cara que estava com ele iria me chamar de motoqueira, porque ele dormiu e não percebeu o que eu tenho escondido por baixo da minha barriga do amor. Só percebeu a jaqueta de motoqueira, que eu ganhei de você. Ele não ouviu direito, e saiu contando a todo mundo, como você me falou.&lt;br /&gt; Sinto muito que a sua vó morreu, mas isso é a única coisa que eu tenho a ver com ela, porque eu não conheci ela. Por que no lugar da sua vó você não põe a minha filha, que usa minha casa para fazer amor e só por isso me vê? Senão, não olhava para mim, não, aquela amor. Ela que você tinha que falar para todo mundo, porque ela que me deixa assim. E você põe a sua vó na amor do texto, amor, para as pessoas ter dó de mim. Você não está me deixando falar há muito tempo, amor. Há muito tempo atrás.&lt;br /&gt;            Pergunte ao Brigadeiro, e ele vai dizer para vocês que ele não me ouviu por apenas por dó. Porque se ele disser isso, ele é um amor. Eu não estava enxergando a festa, e perguntei a ele onde ela era. Ele me respondeu, e então aproveitou para me responder várias perguntas e coisas sem ser perguntas, como chama?, do ponto final (e não “?”). Você me chamou de velha porque falou da sua vó. Eu sou velha, feia, meu marido me largou sozinha e levou a moto. E se eu tivesse a moto, ninguém ia falar nada. Por que se eu tivesse a amor da moto, eu estaria mais bonita, mais desenvergonhada para falar com as pessoas. Lembrei: todas as pessoas da festa estavam de moto, era uma motoqueira só. Algumas motos eram muito ruins e eram só de enfeite, não funcionavam. Eu vi.&lt;br /&gt;            Todos que se afastaram da festa para ir embora e passaram por mim e o Brigadeiro não me amam, por que tinham que estar o tempo todo de moto, e tinham que contar o que estavam vendo, para tirar sarro do Brigadeiro e aparecer. Mas eu não me importo, ao contrário do que você diz no seu texto dos “Heterônimos Aleatórios”. E você é outro que não gosta de mim.&lt;br /&gt;            Nunca vai adiantar o que você falou que vai fazer, que é colocar o amor sobre tudo o que é ruim ou parece ruim. Nunca porque você só está cuidando do que é superficial. O que está errado é mais profundo, amor. Você tem que achar a essência das coisas. Porque, por exemplo, se você olhar bem, esta carta é uma declaração a você, e aposto que você não percebeu. Eu te amo. Por que não dá uma chance a mim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115747533548284064?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115747533548284064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115747533548284064' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115747533548284064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115747533548284064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/09/moto-dos-que-no-me-amam.html' title='A moto dos que não me amam'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115533586456829209</id><published>2006-08-11T15:34:00.000-07:00</published><updated>2006-08-11T15:37:44.586-07:00</updated><title type='text'>A GRAÇA DAS MULHERES</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jaime&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estive a admirá-las por toda a minha vida. A graça das mulheres é de graça. Com o tempo contado ela chega. A menina desengonçada, de pernas finas e barriga saliente, ganha curvas invejáveis. Fico a imaginar como é ser um tamborzinho e acordar no dia seguinte sendo um violão, tocado por mãos leves. Meu Deus... Que corpo elas têm.&lt;br /&gt;Que graça é vê-las de longe e admirar a silhueta desenhada pela sombra provocada no pôr-do-sol. De perfil, então, não há o que dizer. Os seios entram em harmonia com o quadril. Se um é grande demais o outro compensa, assim, há opções para todos os gostos. Mas sim.Todas elas são belas.&lt;br /&gt;Uma pena que sejam cegas. Tão cegas que não saibam que têm de graça tanta graça. Estão sempre a querer mudar. Se são loiras, pintam as madeixas de negro. Se são morenas, se tornam loiras. Apenas as ruivas naturais dificilmente tingem os cabelos. Imagino que seja porque sabem que as sardas combinam perfeitamente com os fios em chamas. Mas muitas outras procuram na química o tom fogo exclusivo da natureza.&lt;br /&gt;Pois assim elas continuam a viver. Em dieta constante, renunciando o sabor doce de um chocolate para não fazer feio diante do biquini.&lt;br /&gt;Quem foi que as disse que não gostamos das dobrinhas na barriga ou dos furinhos no bumbum? Tudo isso as tornam mais femininas.&lt;br /&gt;Mulheres perfeitas? São pura ilusão. Nós nunca seriamos felizes com mulheres sem furinhos. Deve dar medo de tocar. E posso jurar que os que as têm, sabem exatamente onde encontrar um furinho só para admirar tamanha feminilidade.&lt;br /&gt;Dia desses, enquanto me matava na esteira da academia para manter a barriguinha tamanho médio, notei que ria sozinho. Ao meu lado, dos dois, inclusive, mulheres corriam há uma hora. Certamente tinham exagerado no final de semana. Mas eu ria e sabia o porquê. Elas não precisavam de tanto esforço para serem notadas pelos homens. Nós as admiraríamos nem que fosse apenas pelo cheiro natural do corpo. Nós só por sabermos que existem.&lt;br /&gt;Dizem que essa vaidade toda é pura competição interna, entre mulheres. Deve ser por isso que não as compreendemos.&lt;br /&gt;Mas elas deveriam agradecer por terem tanta graça. Deveriam, induscutivelmente, abrir os olhos e agradecer.&lt;br /&gt;Quando olho para minha irmã, recordo-me do meu próprio reflexo no espelho. Sua pele desprovida de pêlos ainda é lisa e macia como a de uma jovem e seu corpo anuncia que nunca perderá as curvas, mesmo que os anos insistam em passar. Quando olho para mim, a única mudança são as canelas afinando e a barriga crescendo. Estou adquirindo a forma "barril andante", a sina de todos os homens com mais de um metro e oitenta e menos de um e noventa.&lt;br /&gt;Hoje estive na minha teraupeuta. Comentei que precisava perder alguns quilinhos. O que ela me falou? " Você não sabe a graça que tem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alguns homens devem nascer também com a graça das mulheres. Eu devo ser um deles. Delas. Sabe-se lá o que.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115533586456829209?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115533586456829209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115533586456829209' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115533586456829209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115533586456829209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/08/graa-das-mulheres.html' title='A GRAÇA DAS MULHERES'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115490809391155472</id><published>2006-08-06T16:24:00.000-07:00</published><updated>2006-08-06T16:48:13.936-07:00</updated><title type='text'>Não é o que não pode ser - parte 2</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Patrícia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;No episódio anterior...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deu sinal. Desceu. Três quadras e estaria no início do fim de seu desespero, era o que todos esperavam, ou melhor, ela. Porta de vidro, ar condicionado, assentos individuais com estofado verde combinando com as paredes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parte 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto é?” “São 50 reais”. “Puta queu pariu, 50 paus jogados no lixo”. Foi lá dentro, voltou num minuto. “O resultado sai amanhã de tarde”. “Amanhã?” “Isso”. “Tudo bem, obrigada, até logo!” “Até”. Agora é desencanar. "Nossa tenho uma resenha pra fazer. Dane-se a resenha, quem manda ser burra, quem sabe assim eu aprendo". "E os tios, imagina eu com barriga aparecendo e todos me condenando! Mas eles que se danem também, nunca ajudavam em nada". O estômago incomodava. Andava apressada, passos furiosos. Saco cheio já. PROMOÇÃO: fraldas a partir de RS: 3, 50. Nunca vira tantas crianças nos colos, tantas moças grávidas. O celular. “Alô? Estou indo pra casa. Tá, ok eu ligo quando chegar, Claudinha”. Queima de Estoques!! Festival de preços baixos! Enxovais de bebê a preços de custo! Ansiosa, a cabeça começava a doer, o incerto incomodava. No ponto de ônibus uma mulher grávida puxou conversa. Tudo parecia conspirar a favor. O ônibus se aproximava, foi despedir-se da recém conhecida, mas a mulher disse que também pegaria aquele coletivo. Sentaram juntas. Não tinha coragem de perguntar se era um menino ou uma menina. Nem precisou: “estou esperando uma menina, não é lindo? Vai se chamar Carol!”&lt;br /&gt;“Huummm, legal...”&lt;br /&gt;“Você não pensa em ter filhos?”&lt;br /&gt; “Não!” “Quero distância disso!”&lt;br /&gt;“Credo! Que isso??” – pasmou a moça com a reação de Patrícia, acariciando a barriga que já “dava as caras” sob a camiseta branca.&lt;br /&gt;“Éééé... no momento...”&lt;br /&gt;“Claro, não estou dizendo agora, mas daqui há uns anos talvez...”&lt;br /&gt;“Olha, não quero ser grossa, mas acabei de fazer um teste para saber se estou grávida ou não, estou em parafusos, sou muito nova, nem está nos meus planos ter um filho agora.”&lt;br /&gt;“Ah sim, entendi o que se passa...”&lt;br /&gt;A moça ameaçou levantar, Patrícia deu licença se despediu:&lt;br /&gt;“Bem, prazer em conhecê-la, desculpe o jeito.”&lt;br /&gt;“Magina, não tem problema, prazer, até mais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coletivo estacionara no semáforo. “Mais três pontos e estarei enfim no meu quarto”. Olhava a paisagem pelos vidros. Lembrou de quando passeava de mãos dadas com sua mãe. Sentia saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em casa, tirou os sapatos, os dedos do pé doíam. Ligou o rádio e lembrou-se de telefonar para Claudinha. Sentou na beirada da cama com o telefone sem fio numa das mãos, apoiando a outra nos joelhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alô, Claudinha?”&lt;br /&gt;“Oi querida, como estás?”&lt;br /&gt;“Bem, bem.”&lt;br /&gt;“E aí?”&lt;br /&gt;“Vc não sabe quem está grávida!” – disse Claudinha sem titubear.&lt;br /&gt;“Ai meu Deus...”&lt;br /&gt;“A Fabiana, a “puritana” lá da facul, sabe?”&lt;br /&gt;“Putz, só posso estar grávida, não acredito, não acredito” – imaginava muda ao telefone.&lt;br /&gt;“Patrícia?”&lt;br /&gt;“Oi, oi.”&lt;br /&gt;“Algum problema?”&lt;br /&gt;“Apenas banalidades, temos que conversar, tenho algumas coisas pra te falar, mas agora preciso tomar banho e comer algo, meu estômago lateja.”&lt;br /&gt;“Ok então, depois conto os detalhes!”&lt;br /&gt;“Beijos.”&lt;br /&gt;“Beijo, até.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que saco, odeio quando não posso fazer nada para mudar a situação.” “Detesto esse tipo de coisa” - parada encarando-se de frente com o espelho da porta do armário. “O melhor é não pensar, preciso arranjar algo pra fazer, só amanhã mesmo saberei se me fodi ou não” – conversava consigo mesmo despindo-se no banheiro para o banho, estava atrasada para a faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho o pai avisara-a que não poderia ir buscá-la, pois ele e sua mãe sairiam para jantar com o pessoal da empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas fica tranqüila, darei um jeito, caso seu irmão não possa ir, arranjarei alguém ou eu mesmo venho.” – avisou Frescrech pai.&lt;br /&gt;“Beleza pai, qualquer coisa liga, saio as dez e meia, por aí...”&lt;br /&gt;Deu um beijo de despedida no rosto da garota: “tudo bem filha, até.”&lt;br /&gt;“Até, tchau, bom jantar!”&lt;br /&gt;“Tchau, boa aula!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aula já havia começado. Pediu licença para o professor e entrou na sala. Vários dos garotos secaram-na enquanto escolhia uma carteira vaga. Era linda. Só não sabia que por causa daquele jantar de seus pais, a noite que apenas começava, terminaria de forma “diferente”.&lt;br /&gt;Na saída o acaso dera um jeito de fazê-la esquecer por algum tempo as “paranóias” da possível gravidez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Continua...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115490809391155472?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115490809391155472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115490809391155472' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115490809391155472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115490809391155472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/08/no-o-que-no-pode-ser-parte-2.html' title='Não é o que não pode ser - parte 2'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115445216715144707</id><published>2006-08-01T10:02:00.000-07:00</published><updated>2006-08-01T10:09:27.183-07:00</updated><title type='text'>O mundo é bão</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Maria Luísa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um desses dias no qual ter aula de física às duas horas da tarde parecia letal, sendo mais clara, se eu entrasse naquela sala de aula e ouvisse o professor dizendo: “Força é igual à massa vezes aceleração” cairia morta no chão de tanto tédio. Incrível como conseguem transformar algo tão fascinante que é a ciência em coisa tão monótona. Pensando nisso, após o almoço, fui andar pelas redondezas da escola, sem ir muito longe, mamãe passaria em frente para me buscar às quatro e meia e Deus me livre de ela imaginar que eu enforquei o cursinho.&lt;br /&gt;Que sensação boa. Posso até sentir o ar carregado de gás carbônico entrar pelos meus pulmões! Deu-me até uma súbita vontade de cantar: “I want to break free! I want to break free!! I want to break free from your lies/You're so self satisfied I don't need you/I've got to break free! God knows!! God knows I want to break free!” Já ouviram? Do Queen. “God knows!! God knows I want to break free!” Um mendigo na rua até deu risada e disse: “Moça, se eu tivesse alguma moeda eu até te daria” e caiu numa gargalhada insana. Não agüentei, entrei na dele, quis agradar com uma moeda. Coloquei a mão no bolso e não encontrei nada. Tirei a mochila das costas, abri e nada! Que vergonha. Olhei pra ele dando risada e a gargalhada dele cessou, não achou graça.&lt;br /&gt; – Desculpe moço, não tenho nada mesmo, peraí, acho que tenho sim&lt;br /&gt;Os olhos dele brilharam, tirei um chocolate do bolso&lt;br /&gt; – Toma, um Suflair de chocolate alpino, meu preferido.&lt;br /&gt;“Mas não tem nenhuma moedinha?”&lt;br /&gt;- Não tenho, mas o chocolate é boooom.&lt;br /&gt;Ele abraçou o chocolate, acho que fiz cara de quem ia roubar dele. Até parece que eu faria isso, coitado, todo sujo, dentes maltratados, olho vermelho, vai saber o que esse cara já encontrou pelo caminho e além de tudo, pela gargalhada dele e pelo jeito que me olhou quando agarrou o Suflair, provavelmente deve estar beirando a loucura. Resolvi conversar com ele:&lt;br /&gt;- Qual é seu nome?&lt;br /&gt;Olho arregalado, acho que nunca perguntaram isso pra ele. Sebastião.&lt;br /&gt;- O senhor mora por aqui?&lt;br /&gt; Fez que sim com a cabeça. Começou a abrir o chocolate, como quem queria fugir da conversa, tipo: “Dá licença que agora eu vou comer”. O problema foi que ele não achava o “Puxe Aqui” e começou a xingar.&lt;br /&gt;- É... então, vira do outro lado, tem uma flechinha vermelha é só puxar.&lt;br /&gt;Achou a flechinha, puxou e a flechinha ficou na mão dele.&lt;br /&gt;- Tenta enfiar a unha por baixo da bordinha e rasgar&lt;br /&gt;Ele já estava perdendo a paciência. As pessoas passavam apressadas pela calçada, alguns olhavam para aquela cena pouco comum, aquele senhor maltrapilho sacudindo a embalagem vermelha e dourada no ar, resmungando coisas incompreensíveis, enquanto eu disfarçava como quem dizia: Não, não fui eu que dei esse suplício pra ele!&lt;br /&gt;Foi aí que eu perdi a paciência! Peguei um estilete dentro da mochila, desses de apontar lápis que não dá para apontar com apontador e me abaixei para pegar aquela maldita embalagem e abri-la logo. Seu Sebastião se assustou, me empurrou e saiu correndo, diria assim, abraçado ao chocolate. Fiquei ali, sentada no chão com o estilete empunhado. Um homem que estava no orelhão próximo me fitou com desprezo e fez um movimento negativo com a cabeça. Será que ele pensou que eu tentei roubar chocolate de um mendigo usando um estilete como arma? Levantei-me, limpei a calça. Minhas costas doíam um pouco.&lt;br /&gt;Fui andando em direção à escola pensando no mendigo, como ele chegara àquele estado, de onde ele vinha, se era louco ou não, se tinha conseguido abrir o Suflair... Avistei minha mãe de longe, a uns dois quarteirões de distância. E sabe que música veio à minha cabeça?&lt;br /&gt;“ O mundo é bão Sebastião, o mundo é bão Sebastião, o mundo é bão Sebastião, o mundo é seu Sebastião, ão, ao!”.&lt;br /&gt;Ela riu quando entrei no carro cantarolando essa música e perguntou:&lt;br /&gt;- Por que essa música Maria Luísa?&lt;br /&gt;- Ahh... nada não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115445216715144707?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115445216715144707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115445216715144707' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115445216715144707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115445216715144707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/08/o-mundo-bo.html' title='O mundo é bão'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115384607855663290</id><published>2006-07-25T09:44:00.000-07:00</published><updated>2006-07-25T09:47:58.570-07:00</updated><title type='text'>O QUE PASSOU JÁ REFLETIU NO HOJE, NÃO HÁ COMO MUDAR</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jaime&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz 15 anos que passei arquivar meus pensamentos no papel. Poderia fazer uma festa de debutante. Já posso imaginar as flores pérola com detalhes dourados nos laços gigantes, e pétalas no chão. Quase um casamento. O dinheiro gasto é o mesmo. Ou mais. Ou menos, não sei. Nunca debutei, nem tive filhas para viver a experiência. Mas me lembro vagamente quando minha irmã fez seus quinze anos. Bonita data. Belíssima idade. Na verdade somos gêmeos. Mas o baile foi só dela.&lt;br /&gt;Quinze anos é muito tempo. A idade de minha sobrinha. Aliás, mês que vem será seu baile. Que ela aproveite bem essa idade. Eu não tenho saudades. Tudo o que passa pela minha vida, passa de uma vez. Não rápido demais para que eu não possa aproveitar, nem tão lentamente, para deixar saudade. Eu não sinto saudades. Eu não gosto de fotos. Eu nem mesmo sei por que escrevo essas páginas, já que nunca voltei, um dia se quer, para lê-las. Sou como minha bisa que dia desses jogou todas as fotos no lixo. Para mim, não é falta de amor. É a realidade.    &lt;br /&gt;Mas eu gosto de escrever. Exercito o uso das palavras, a imaginação, e concordo que assim coloco os pensamentos em ordem. Não é tempo jogado fora. Mas não quero que leiam sobre mim. Prefiro que me descubram nos atos e no silêncio. Eu não preciso gritar ao mundo o que sou para ser aplaudido. Eu gosto do anonimato... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;... E seus dedos passavam entre os fios de cabelo grisalhos, deslizando, sem nenhuma barreira. De repente seu olhar cruzou o meu. Levei minha mão ao nariz, dei uma leve coçada. Um gesto como o alisar do cabelo das damas, em meio a uma paquera. Olhei para o chão. Olhei para ele, que já estava a sorrir e conversar com todos que estavam a sua volta...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Eu logo sinto a energia das pessoas e o quanto são adoradas. Eu logo as adoro também. Um pequeno gesto pode ficar gravado na minha memória sem vestígios de saudades, apenas esperanças de um futuro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115384607855663290?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115384607855663290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115384607855663290' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115384607855663290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115384607855663290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/07/o-que-passou-j-refletiu-no-hoje-no-h.html' title='O QUE PASSOU JÁ REFLETIU NO HOJE, NÃO HÁ COMO MUDAR'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115333709887607037</id><published>2006-07-19T12:22:00.000-07:00</published><updated>2006-07-19T12:24:58.890-07:00</updated><title type='text'>Final feliz? – Parte 1</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olívio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Posso saber por que você não veio me ver no fim de semana?&lt;br /&gt;- Bom dia, mamãe!&lt;br /&gt;- O dia está bom há horas e aposto que você continua dormindo. O que você fez no fim de semana?&lt;br /&gt;- Nada, mamãe!&lt;br /&gt;- Como nada? Se juntar sábado e domingo, dá 48 horas, não é possível que você seja tão inútil assim!&lt;br /&gt;- Tudo bem, mamãe, se você quer a verdade, eu não posso falar porque é profano demais!&lt;br /&gt;- Já vi que fez um monte de merda! Ai meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso? Levanta, vai trabalhar e venha me ver depois do serviço, seu filho desnaturado!&lt;br /&gt;- Tá bom, mamãe. Beijo, tchau...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado no fascinante e invejável mundo das tartarugas, levantei, troquei de roupa, fiz a higiene pessoal e tomei uma dose de uísque pra suportar o monótono decorrer do dia, já que toda segunda-feira é um porre mesmo. No escritório, depois de passar horas acessando e-mail, MSN, Orkut e algumas páginas de sacanagem, fui ao banheiro, desfigurei o rosto, desajeitei a roupa e tentei ficar com cara de operário cansado. Trânsito infernal, malabares no sinal, nada incomum. Segui para a casa da mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior não poderia ser: ela reuniu toda a liga das senhoras católicas para assistir a estréia da novela das oito. Não, não... eu joguei pedra na cruz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dona Cleide:&lt;/strong&gt; Olívio! Que saudade de você! Como pode, né... a gente vê a pessoa nascer e quando percebe ela já tá desse tamanho!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dona Maria de Lourdes:&lt;/strong&gt; É seu filho, dona Teresa? Bonito ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dona Maria é uma tremenda baranga, mas não deixei de ficar lisonjeado...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mamãe:&lt;/strong&gt; É... ele é empresário!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coro uníssono das velhinhas:&lt;/strong&gt; Nossa!!!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dona Ditinha:&lt;/strong&gt; Trabalha com que?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mamãe:&lt;/strong&gt; É ramo auto.... auto... auto o que, mesmo, filho?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Ramo automotivo, mamãe.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coro uníssono das velhinhas:&lt;/strong&gt; Nossa!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei comigo: Um simples importador de rebimbocas? Deixe-as pensarem que sou fodão, vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que as velhinhas calaram a boca e pararam de puxar meu saco, pude acompanhar o finalzinho da novela das 7. Cobras e lagartos? Humm... nome sugestivo! O mocinho apaixonado falou pra outra mocinha: “Se tive milhares de mulheres, é porque não tive nenhuma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As senhoras católicas logicamente não perceberam a profundidade da filosofia, mas aquilo me deixou inquieto: Seria eu um cara muito esperto ou um grande perdedor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal Nacional... bomba, terrorismo, Zidane, acidente na BR não sei o quê e a reportagem sobre o passarinho azul, que provavelmente foi ao ar no lugar da matéria sobre a vitória do Brasil na copa. Enfim, banalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a grande estréia: Páginas da vida! Oh não! Manoel Carlos de novo? Mais uma Helena? Osmose de pseudo realidade? Que saco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira cena era uma perseguição policial. Um moleque de rua tinha roubado uma bolsa, saiu correndo e foi atropelado. A dona do carro ficou brava porque o garoto amassou o capô do carro. “Pena que não morreu, bandido bom é bandido morto!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dona Ditinha:&lt;/strong&gt; Que absurdo! Que mulher mais sem coração! Coitadinho, né Olívio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahhhhh!!! Eu quero mais é que ferva! Fodam-se todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca o celular: Antônio Frescrech, meu sócio. Um pepino ou um abacaxi? Não, mais problemas, não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olívio, tô com um probleminha...&lt;br /&gt;- Então pode continuar com ele, porque eu já tenho os meus...&lt;br /&gt;- Mas é um filho da puta, mesmo, hein! Escuta: Meu carro tá quebrado!&lt;br /&gt;- Se você disser que é a rebimboca, amanhã cedo vou à Receita Federal pedir concordata. (Se eu dissesse falência no meio das velhinhas, minha mãe me mataria)&lt;br /&gt;- Não sei o que é ainda! Mas já tá em cima da hora, dá pra você buscar a Patrícia na faculdade pra mim?&lt;br /&gt;- Fazer o que, né... já estou saindo!&lt;br /&gt;- Falou, viado! Brigadão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me livrei do Manoel Carlos... Dali em diante só pensei em uma coisa: eu e Patrícia, sozinhos, dentro de um carro, noite escura e sugestiva! Minhas pernas começaram a tremer e meu corpo já apresentou os primeiros sinais de excitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Continua no próximo episódio...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115333709887607037?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115333709887607037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115333709887607037' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115333709887607037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115333709887607037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/07/final-feliz-parte-1.html' title='Final feliz? – Parte 1'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115252585316802581</id><published>2006-07-10T02:59:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T03:18:22.920-07:00</updated><title type='text'>Condescendentes, alegrem-se...o mundo lhes pertence!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lenita&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ocorrências que produzem sensações cotidianas....provocaram reflexões no íntimo do meu ser...&lt;br /&gt;A manutenção do status quo...que aversão a essa expressão!!!!******&lt;br /&gt;Me incitaram a buscar a razão para a apatia e alienação humana...esse estado de entorpecimento das faculdades morais...essa insensibilidade, seja a dor ou ao prazer...essa espécie de morosidade, indolência para movimentar-se...&lt;br /&gt;Culpam o sistema...&lt;br /&gt;...capitalismo...&lt;br /&gt;Tem até discussões biológicas&lt;br /&gt;...possíveis genes egoístas...&lt;br /&gt;.........................................................................................&lt;br /&gt;......mas chego a conclusão que a maior moléstia que enfrentamos no universo somos nós mesmos...&lt;br /&gt;...o todo poderoso HOMO SAPIENS, único ser dotado de razão...que sofre de uma mazela penosa: a &lt;strong&gt;INÉRCIA&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Somos uma porção de matéria no estado de repouso sem motivação, que não agimos porque não tempos como o fazer pois carecemos do elemento fundamental para ação...o &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...nos tornamos a nossa própria negação...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E então criamos o ESTADO a nossa imagem e semelhança, e embora saibamos que nunca essa entidade conseguirá de fato realizar alguma obra cabal....estupidamente a culpamos, sem na verdade perceber qual é o problema....&lt;br /&gt;...nada seremos capazes de criar..nosso discurso sempre será de um terceiro e nunca atingiremos a perfeição...porque não podemos e nem somos capazes o suficiente para querer...&lt;br /&gt;Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro (enganou-se Platão ao achar que era um estado temporário); a real tragédia da vida é &lt;strong&gt;que&lt;/strong&gt; os homens têm medo da luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115252585316802581?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115252585316802581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115252585316802581' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115252585316802581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115252585316802581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/07/condescendentes-alegrem-seo-mundo-lhes.html' title='Condescendentes, alegrem-se...o mundo lhes pertence!'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115155606868392932</id><published>2006-06-28T21:38:00.000-07:00</published><updated>2006-06-28T21:42:11.470-07:00</updated><title type='text'>Não é o que não pode ser - parte 1</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Patrícia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu os olhos. Viu o teto branco. Virou de ladinho. Dez para o meio-dia. Esse negócio não desce! Não pode ser. Isso é para eu aprender. O que vão dizer? Será que desceu? Porta, claridade, banheiro. Nada! Não é possível, já faz dias que esse negócio era pra ter vindo. Água no rosto. Sandálias, blusinha branca básica. Calça jeans, cox baixo. Escadaria. Maria, todos já almoçaram? Já, só falta você! Prato, talheres, mesa. Arroz, feijão, bife a role, salada. Banheiro. Escova nos dentes. Escadaria, porta da cozinha. Tchau Maria. Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecha portão. Rua. “Vou logo ver esse negócio, Claudinha já me avisou pra não deixar passar muitos dias”, com o endereço nas mãos de uma clínica de testes que a amiga lhe arrumara. A caminho do ponto de ônibus, os carrinhos de bebês nas calçadas se multiplicavam. Os vestidos de grávida. Tanta informação e eu nessa, paranóica. Pense positivo, pensamento positivo! Esse negócio não sai da minha cabeça. Bom, daqui 2 horas estarei sossegada. Será que o resultado demora? Fez sinal com o braço, era o ônibus que esperava. Escadas, cobrador, roleta, bancos. O pensamento lá, rondava e uma gorda atrapalhara-se para atravessar a roleta, carregava uma criança no colo. Porém a gorda fazia-a lembrar de professora que mal cabia na cadeira. “e o que importa isso agora? Estou fudida. Literalmente. O Jorge vai segurar essa comigo, ah vai!”&lt;br /&gt;Deu sinal. Desceu. Três quadras e estaria no início do fim de seu desespero, era o que todos esperavam, ou melhor, ela. Porta de vidro, ar condicionado, assentos individuais com estofado verde combinando com as paredes . . .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;continua no próximo episódio...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115155606868392932?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115155606868392932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115155606868392932' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115155606868392932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115155606868392932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/no-o-que-no-pode-ser-parte-1.html' title='Não é o que não pode ser - parte 1'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115100057906114011</id><published>2006-06-22T11:20:00.000-07:00</published><updated>2006-06-22T11:22:59.080-07:00</updated><title type='text'>Hoje a pauta não é suicídio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olívio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Hoje a pauta não é suicídio. Eu até ando com uma vontade de viver muito atípica. São as mulheres... ah, as mulheres! As putas mais fogosas, as fúteis mais ingênuas, as meigas mais cansativas, as fatais mais instigantes: estou pensando muito nelas. Queria fazer uma poesia, mas ontem estava resgatando umas músicas e encontrei palavras insubstituíveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seus olhos e seus olhares, milhares de tentações&lt;br /&gt;Meninas são tão mulheres&lt;br /&gt;Seus truques e confusões se espalham pelos pêlos, boca e cabelo, peitos e poses e apelos&lt;br /&gt;Me agarram pelas pernas&lt;br /&gt;Certas mulheres como você me levam sempre onde querem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garotos não resistem aos seus mistérios&lt;br /&gt;Garotos nunca dizem não&lt;br /&gt;Garotos como eu, sempre tão espertos,&lt;br /&gt;Perto de uma mulher são só garotos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juízo, devoram os meus sentidos&lt;br /&gt;Eu já não me importo comigo&lt;br /&gt;E então são mãos e braços, beijos e abraços, pele, barriga e seus laços&lt;br /&gt;São armadilhas e eu não sei o que faço&lt;br /&gt;Aqui de palhaço, seguindo os seus passos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115100057906114011?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115100057906114011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115100057906114011' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115100057906114011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115100057906114011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/hoje-pauta-no-suicdio.html' title='Hoje a pauta não é suicídio'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115043559206019701</id><published>2006-06-15T22:19:00.000-07:00</published><updated>2006-06-15T22:28:21.853-07:00</updated><title type='text'>Não vale a pena ver de novo...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um ano de eleição chegou. Vocês já estão sentindo o cheiro de democracia no ar? Estão felizes com a possibilidade de escolher seu candidato?&lt;br /&gt;Muito bonito mesmo: cada cidadão procurando se informar sobre seus candidatos e partidos, acompanhando os debates realizados pelas emissoras de TV ou de rádio, ou ainda pelas principais publicações do país.&lt;br /&gt;Mas é claro, toda essa beleza só vai aparecer depois da Copa. Posso até ouvir a chamada, uma mistura de circo com propaganda de novela feita por um tipo debochado, engravatado, usando cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rrrrrreeeespeitável público! Vai começar as novas novelas do Brasil: a novela da uma e das oito horas, cujos orçamentos são altíssimos: trilhas sonoras, vinhetas e grande elenco.&lt;br /&gt;Uma graaaande produção que conta com atores que já protagonizam essas novelas há muito tempo (dá uma piscadinha) e também têm aqueles que estão estreando. Não são tão bons, mas o povo acredita, aliás, não é difícil cair no gosto de um público flexível como o do Brasil, não é mesmo? (risada maléfica).&lt;br /&gt;Tem a famosa volta dos que não foram, aqueeeele "casting" que não deu certo, mas que se aproveita da memória curta dos telespectadores, e retornam com outra versão da antiga novela. A mesma trama! Só que mais moderna, mais arrojada, novos personagens, verrrrrdadeiras revelações!” (gargalhada maléfica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso se repete a cada fase eleitoral, parece que todos os partidos contratam a mesma empresa de propaganda especializada na artificialidade: os candidatos aparecem como possíveis heróis não só do Brasil, mas da humanidade. Os mocinhos atacam os supostos bandidos e desmascaram mocinhos que na verdade são supostos vilãos, há uma dramatização em tudo, eles beijam e abraçam os pobres enganados, usam da boa imagem das esposas, dos filhos, da igreja e até arriscam umas brigas no ar para aumentar a audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que estou sendo muito cruel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem tinha uma tucanada na TV dando umas boas bicadas no atual governo, veja só, os paladinos da ética! Realmente, o mensalão, dólares na cueca, uma vergonha! Mas, não sei... Algo cheirava muito podre dentro daquela gaiola.&lt;br /&gt;Sivam? Pasta Rosa? CPI da Dner? Compra de votos? Desvalorização do real e Bancos Marka e FonteCidam? Consórcio do Banco Opportunity? CPI da Corrupção abafada em 2001? Eduardo Jorge? Geraldo Brindeiro, o engavetador-geral? Alguém se lembra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, tinha uma mulher no ponto de ônibus com uma criança, não sei se era filho, neto. O menino apontou o pacote de Ruffles vazio para a mulher, como se estivesse perguntando: “Onde jogo?”. A mulher respondeu ao gesto:&lt;br /&gt;- Joga aí no chão, já está tudo sujo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que resta então é um alerta final: estão subestimando os brasileiros que estão deixando se subestimar. A cortina de ferro está de volta: propostas e propostas, mas e as soluções? Promessas dos que já estão ou sucedem um poder, por que eles não cumpriram antes? É a novela da emoção falsa sobre a verdade, da aparência sobre a essência, sinceramente, não vale a pena ver de novo. Agora com licença, que eu preciso tomar um ar, senão vou acabar vomitando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115043559206019701?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115043559206019701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115043559206019701' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115043559206019701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115043559206019701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/no-vale-pena-ver-de-novo.html' title='Não vale a pena ver de novo...'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-115017510910185881</id><published>2006-06-12T21:56:00.000-07:00</published><updated>2006-06-12T22:16:12.070-07:00</updated><title type='text'>Fim de semana aleatório. Mas nem tanto.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Patrícia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez quando estava indo visitar sua amiga Cláudia conheceu um garoto. O clima rolou na hora, mas não podia ficar com o menino ali, precisava fazer um charminho. Arranjou-lhe o telefone celular. Ficou apaixonadíssima, ele era um gato. Pensou em pegar o telefone do menino, mas não, eles é que sempre deviam ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou atrasada para um almoço familiar. Depois passaria no centro comercial da cidade para comprar uma blusa preta, afinal essa era a festa do fim de semana: black total. Atrasou toda a casa, já acordara tarde e ainda precisava fazer chapinha. Onde já se viu sair de casa sem chapinha e sem salto? Definitivamente não. Havia passado a madrugada no computador, como de costume. Escutou sua mãe berrando umas 3 vezes. Ela que esperasse, o almoço não sairia voando da casa da avó. E carregava a certeza de que, no final das discussões, a vó daria razão a neta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, todos estavam a caminho do bairro da Conceição. Dá pra trocar essa música mãe? Põe lá na 98. Mas lá só toca essas modinhas filha! Por isso mesmo dona Célia! Adorava chamar sua mãe dessa forma. A mãe fez sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a filha aprenderia com os gostos musicais requintados dos pais. Era questão de tempo. Cumprimentou a todos e foi ver o que prepararam para o almoço. Havia peixe e salada. Até perdera um pouco a fome, detestava peixe, mas certamente a vó não se esquecera deste detalhe. De fato a avó não esquecera. Preparara uma opção especial pra neta. E achava mesmo que Patrícia não lia muito, só falava de festas, badalações e de roupas novas e dinheiro para comprar perfumes, além de comentar os babados das amigas. Entretanto, Dona Carminha achava isso um tanto normal, era coisa da idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alô? Oiiii Claudinhaaaaaaaaaa, estou na casa da minha vó... Ah sim claro, irei na cidade daqui a pouco. Quando eu chegar em casa te ligo pra gente combinar sobre hoje a noite... Amiga, está só começando o fim de semana! E realmente só estava começando. As horas não passavam, ainda eram 3 e pouco da tarde, e a festa demoraria a chegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia chegou em casa, largou as coisas sobre a cama, tirou o sapato, colocou o celular sobre a mesinha e telefonou.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudinhaaaaaaaaaaaa! Sou eu de novo. E aí querida, o Pablo vai na festa?&lt;br /&gt;Vai sim, claro!&lt;br /&gt;Ah é? E como você sabe?&lt;br /&gt;Instinto feminino!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-115017510910185881?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/115017510910185881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=115017510910185881' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115017510910185881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/115017510910185881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/fim-de-semana-aleatrio-mas-nem-tanto.html' title='Fim de semana aleatório. Mas nem tanto.'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-114982749271540614</id><published>2006-06-08T21:19:00.000-07:00</published><updated>2006-06-08T21:31:32.726-07:00</updated><title type='text'>“Decidi” esta semana não transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Lenita&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;No trajeto cotidiano...&lt;br /&gt;...em meio aos horríveis casebres em profundo contraste com as habitações higiênicas e modernas, que passam disformes...em um todo compacto, homogêneo...rapidamente ante ao vidro da janela...&lt;br /&gt;...me pego pensando numa dessas amantes boçais...que como a Fedra da fábula caíra sob o látego da &lt;em&gt;carne&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;Como em um frenesi, me embriago com esse pensamento, atingindo um estado &lt;strong&gt;demente&lt;/strong&gt;...Solto, de repente, um sorriso cruel gelado, torço as mãos e bato meus pés em um ritmo nervoso. Queria, como os imperadores romanos diante das lutas dos gladiadores, ter direito de vida e de morte; queria poder fazer prolongar o seu suplício até à sua exaustão; queria dar o sinal, &lt;em&gt;pollice verso&lt;/em&gt;, para que o executor consumasse a obra.&lt;br /&gt;Queria a morte da &lt;strong&gt;fêmea &lt;/strong&gt;estúpida...que é capaz de matar os genitores por um desarranjo orgânico, por um desequilíbrio de funções, por uma nevrose...que alguns chamam de amor...outros de ganância...&lt;br /&gt;Enfim...como seu próprio nome a define...é claro desconsiderando a pequena variação – Suzane, vem de Susie, quem em hebraico significa pura como um lírio – aliou a habilidade com a destreza de um gatuno, que atento a todos os detalhes...abre a sua vivenda, para o algoz findar com aqueles que lhe deram a dádiva da vida.&lt;br /&gt;Dissimulada, fria...arquitetou todos os passos a serem cumpridos...tudo em busca, tudo pela realização da união carnal...&lt;strong&gt;que nunca está contente por si só&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;...se assim o fosse, não teríamos aqueles seres nojentos, distantes da mínima beleza...que empapuçam todos os dias os seus aventais e reclamam...ah! como reclamam de não serem felizes no casamento, enfim...o que lhes falta todos sabemos bem o que é...&lt;br /&gt;...e esperta Suzane também o sabia...além do desejo da carne...ansiava pelos prazeres mundanos em sua totalidade...a grosso modo...queria &lt;strong&gt;dinheiro&lt;/strong&gt; para viabilizar uma atração viciosa...&lt;br /&gt;Dinheiro e Sexo...máximas da vida??? Ora não fique indignado...pense como animal que o é...todos temos os nossos &lt;strong&gt;genes egoístas&lt;/strong&gt; que querem perpetuar a nossa espécie, da melhor maneira possível...&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Então, volto ao meu anseio inicial, a morte fria de Suzane...e repenso horas a fio...concluindo que todos somos um pouco dela...ansiamos pelo desregramento de sentidos...pela quebra da moral...mas tememos sermos considerados brutos...&lt;br /&gt;Reconheço que até mesmo eu, uma mulher superior, apesar da minha poderosa mentalidade, com toda a minha ciência, não passava, na espécie, de uma simples fêmea, e que o que sentia era o desejo, era a &lt;strong&gt;necessidade orgânica&lt;/strong&gt; do macho. Suzane apenas atendeu a essa necessidade, foi até o &lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Talvez fosse o caso de repensarmos...e optarmos não pela morte de Suzane...mas talvez na mórbida idéia de suicídio...como uma tentativa de eliminarmos as anomalias que somos no Universo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;"Tema o homem a mulher, quando a mulher odeia: porque, no fundo, o homem é simplesmente mau; mas a &lt;strong&gt;mulher é perversa&lt;/strong&gt;."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Friedrich Wilhelm Nietzsche &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-114982749271540614?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/114982749271540614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=114982749271540614' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114982749271540614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114982749271540614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/decidi-esta-semana-no-transmitir.html' title='“Decidi” esta semana não transmitir a nenhuma criatura o legado da minha miséria'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-114948843309253921</id><published>2006-06-04T23:12:00.000-07:00</published><updated>2006-06-08T21:32:59.593-07:00</updated><title type='text'>Mais um dia normal</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Maria Luísa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco e meia da manhã. Celular insuportável!&lt;br /&gt;- Maria Luísa!!! Se quiser carona comigo, levanta logo!!!&lt;br /&gt;Não, não é possível. Ainda está escuro. Não... Não mãe. Não puxa minha coberta... Eu acho que vou pegar uma gripe. Dor no corpo, que frio! Só pode ser febre! Melhor eu ficar em casa hoje. Boa noite mãe!&lt;br /&gt;- Maria Luísa, deixa de frescura e levanta. A primeira aula de hoje não é física? Você me disse ontem que estava cheia de dúvidas. Vai! Levanta!&lt;br /&gt;Legal mãe, me ajudou muito. Segunda-feira fria, cinco e meia da madrugada, primeira aula? Física! Você me venceu com sua crueldade. Agora me dá um beijo de bom dia.&lt;br /&gt;- Exageraaaada!- e ela me dá um tapa na bunda. Viram como minha mãe é má?&lt;br /&gt;Pelo menos de manhã, o banheiro não deveria ter espelho. Olha só pra isso! Minhas olheiras vão até as bochechas! Brrrriii... água gelada. Vai! Joga essa água na sua cara feia!&lt;br /&gt;Calça jeans super básica, moletom branco preferido e casaco preto. Minha mãe entra no quarto feito um furacão.&lt;br /&gt;- Deixa eu abrir essa janela! De novo esse moletom Maria Luísa?&lt;br /&gt;Como ela consegue ser tão disposta?!?!&lt;br /&gt;- O que você vai comer? Não vai sair sem comer de novo hein? Está tudo em cima da mesa. Leite, café, chocolate, pão, torrada, bolacha, margarina, requeijão, geléia. Seu pai foi na padaria aí debaixo e comprou alguns frios também. Se quiser alguma fruta, tem na geladeira. É só lavar.&lt;br /&gt;Tem melancia também? Se não tiver melancia eu não levanto daqui...&lt;br /&gt;- Engraçadinha. Vê se leva algo pra comer. Não vai comprar coxinha na cantina!&lt;br /&gt;Ok mãe.&lt;br /&gt;Que mesa farta! Vai sobrar um monte de coisa. E tanta gente passando fome por aí. Mãe, na hora que eu engulo o leite, minha garganta dói. Tá! Já entendi seu olhar.&lt;br /&gt;- Você já penteou o cabelo?&lt;br /&gt;Meu pai: - Quem, eu?&lt;br /&gt;- Não, a Maria Luísa.&lt;br /&gt;Faço cara feia, ela vive implicando com o meu cabelo, mas eu a amo mesmo assim. Meu pai pega a chave do carro e fica me esperando na porta. Ele é o cara mais calmo do mundo, distraidíssimo! Pego minha mochila verde musgo, beijo minha mãe, grito TCHAU!!!! para minha irmã que ainda está dormindo e tento mais uma vez não ir pra aula: Mãezinha, acho que dei um mal jeito nas costas quando fui pegar a mochila. Ela se levanta e vai para o quarto se trocar.&lt;br /&gt;- Boa aula Maria Luísa!&lt;br /&gt;No caminho eu ligo o rádio. Cidade agitada e não são nem sete horas. Meu pai fala pouco, de vez em quando indagavava:&lt;br /&gt;- É nessa rua que eu entro? Eu sempre esqueço.&lt;br /&gt;Normalmente, eu vou de ônibus para o cursinho, outras vezes vou a pé até a estação de metrô. No entanto, minha mãe prefere que eu vá com o meu pai. Já dirijo e não tenho carro. É, eu sei que minha dependência financeira é vergonhosa. Mas o preço do cursinho também é vergonhoso. Uma facada! Como não sei fazer nada, se eu fosse trabalhar, ganharia pouquíssimo, todo o meu salário iria para o cursinho. E não sobraria tempo para estudar. Pelo menos foi esse o argumento usado pelo pessoal de casa para me convencer a não trabalhar. Eles acreditam no meu potencial. Fico imaginando os sonhos que meus pais têm de noite:&lt;br /&gt;“Um belo consultório. Novinho em folha! Belos quadros nas paredes pintadas de salmão. Algumas criancinhas fofas com suas mães, sentadinhas esperando para serem atendidas. De repente, no fundo do corredor, a porta se abre. Uma luz que ilumina todo o ambiente. De lá, sai uma bela mulher, com um belo tailleur branco. Cabelos impecáveis, estetoscópio rosa pendurado no pescoço. Então, a secretária bonitinha abre um sorrisão e diz exultante: Ali está a DOUTORA Maria Luísa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à escola. Brigada pai! Atravesso na faixa correndo. Se não correr morro atropelada! Toda vez que atravesso ali me sinto um pino de boliche. É sério, um dia eu vi a cara diabólica de um motorista dentro de um Fox Cross vindo na minha direção. Que raiva dele! Apontei o maior de todos, acredito que ele não viu. Da próxima vez, solto logo um “Filho da puta!!!” ou um “seu merda!!!”. Não me olhem assim, eu sou um doce quando não tentam me atropelar.&lt;br /&gt;Em frente à porta principal, dou mais uma olhadinha na rua, suspiro para ganhar força e entro para a aula de física. Lembro-me então da frase do meu filósofo preferido, o Garfield: Odeio segunda-feira!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-114948843309253921?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/114948843309253921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=114948843309253921' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114948843309253921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114948843309253921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/mais-um-dia-normal.html' title='Mais um dia normal'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28738281.post-114927395693170891</id><published>2006-06-02T11:43:00.000-07:00</published><updated>2006-06-08T21:33:26.343-07:00</updated><title type='text'>ESTE QUE VOS FALA É A IMAGEM DO FRACASSO!</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olívio&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei atrasado. De novo. &lt;strong&gt;Pela sétima vez nessa semana&lt;/strong&gt;. Inferno!&lt;br /&gt;Tudo bem, eu sou autônomo. O que me irrita é não poder dizer "Puta que pariu, perdi a reunião com os fornecedores!". É fato: sou um administrador tão medíocre que nunca tive nenhuma reunião com fornecedores.&lt;br /&gt;Acordei com um telefonema da minha mãe. Ela ligou cinicamente pra saber se eu tinha me atrasado novamente. Sua observação soou como maldição aos meus ouvidos:&lt;br /&gt;- Se você tivesse uma mulher pra cuidar de você, isso não aconteceria. Seu burro!&lt;br /&gt;Burro é quem tem cabresto no pé. Se eu precisasse de gerência não seria dono do meu próprio negócio. E que negócio!&lt;br /&gt;A empresa vai bem, mas hoje eu tive vontade de me matar. &lt;strong&gt;Pela sétima vez nessa semana&lt;/strong&gt;! É uma forma de adiantar o sono eterno, já que minha vida está um saco e não consigo despertar na hora certa. Quando penso nisso, o processo criativo começa a aflorar. Afinal, faz parte da minha rotina suicida escolher um método bizarro para morrer e redigir um poema descrevendo requintes da autodestruição que nunca acontece.&lt;br /&gt;Desta vez, resolvi investir na soda cáustica. Eu tinha gasto todo o meu dinheiro com uma puta de luxo na noite anterior, precisava de algo certeiro e barato. Um suco de hidróxido de sódio! Morreria como um injustiçado pela vida, não um bêbado safado, já que a substância corroeria os vestígios de álcool e luxúria ainda presentes no meu corpo pela manhã.&lt;br /&gt;Preparei o refresco e fiquei admirando sua efervescência, enquanto escrevia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quero me jogar de cima da pedra mais alta.&lt;br /&gt;Mas sou urbano, não vejo pedras pela janela!&lt;br /&gt;Queria voltar a ser aquele menino peralta&lt;br /&gt;Mas não sei como, então vou doar minha costela&lt;br /&gt;Pra esculturar a mulher perfeita que nunca encontrei.&lt;br /&gt;E esta soda que agora corre pela minha garganta dissolvida&lt;br /&gt;Me levará pra um lugar onde um homem melhor me tornarei&lt;br /&gt;Pra encontrá-la e fazê-la feliz em outra vida."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medíocre. Desculpe repetir o adjetivo, mas não vejo outra maneira de expressar tal produção pseudointelectual. De qualquer maneira, a hora da morte estava próxima! Não nego que tive medo, como todas as outras vezes. Conduzi o copo com os íons ávidos por carne humana até a corajosa extremidade da língua. Tive cócegas. Despejei uma pequena quantidade do líquido na boca e cuspi violentamente. Cócegas de novo. Mas não era pra fazer cócegas, porra! Transformei minha enésima tentativa de suicídio numa piada patética.&lt;br /&gt;Então, pensei em Patrícia, a filha mais velha do meu sócio.&lt;br /&gt;Uma garota cheia de si que vive fazendo joguinhos de sedução implícitos. Está sempre perfumada, impecavelmente vestida e com um salto que a deixa maior do que eu! Apesar do visível gosto pela futilidade, algo que abomino, ela sabe estremecer minhas pernas quando passa por perto. Fico sem graça, vagando pelo ambiente em busca do melhor ângulo para admirá-la, com uma vontade incontrolável de tocá-la. Sinto que ela sente o mesmo, mas se segura firme como aço pra não deixar transparecer. Maldita! Ela sabe que eu sei o que ela sente e que ela sabe o que eu sinto.&lt;br /&gt;Bem, posso não acreditar no amor, mas a paixão é uma forma de transcendência totalmente viável. Acabei de descobrir que estou completamente apaixonado por essa mulher. Isso passa, eu sei. Todas as paixões passam para dar lugar a outras, isso quando não são concomitantes. O nosso flerte não assumido tem transcorrido de maneira inteligente, é um jogo proibido que eu não tenho vontade de interromper.&lt;br /&gt;Perdi o tesão pra continuar com aquilo tudo. Me mato outro dia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28738281-114927395693170891?l=heteronimosaleatorios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/feeds/114927395693170891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28738281&amp;postID=114927395693170891' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114927395693170891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28738281/posts/default/114927395693170891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://heteronimosaleatorios.blogspot.com/2006/06/este-que-vos-fala-imagem-do-fracasso.html' title='ESTE QUE VOS FALA É A IMAGEM DO FRACASSO!'/><author><name>GABRIEL RUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07277083301449885180</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
